O emo está com tudo no Lollapalooza Brasil 2020

Assim como é elegante dizer por aí que já se passou dos 30 anos, é heróico bater no peito e dizer que foi emo nos anos 2000. 15 anos se passaram desde o auge do estilo, e entre chacotas e pouca compreensão, enfim, as bandas que marcaram esta época podem botar a cara no sol sem maiores julgamentos ou rótulos.

Bom para todo mundo que viveu este momento e hoje pode curtir tranquilamente bandas como City and ColourA Day to Remember e, é claro, Fresno, o maior símbolo do emo no Brasil.

A banda, escalada pela primeira vez para tocar no Lollapalooza Brasil, acabou de lançar o álbum Sua Alegria Foi Cancelada, que mostra toda transformação musical que Lucas, Vavo, Guerra e Mário Camelo passaram desde que a banda assumiu esta formação.

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Mais experientes, hoje contam com elementos diferentes do tradicional hardcore extremamente melódico que marcou a banda entre 1999 e 2008, período em que hinos do emo nacional foram escritos – “Onde Está?”, “Evaporar” e “Em Cada Poça Dessa Rua Tem Um Pouco De Minhas Lágrimas”, só para citar algumas. E por mais que os discos que vieram depois da era mainstream já mostrassem novas sonoridades, é em SAFC que o grupo mostra mais identidade.

A nova fase deixa para trás os rótulos que fizeram a banda ser conhecida, mas a maior representante do emo nacional parece não se importar com a prateleira em que foi colocada por tanto tempo. Para Lucas Silveira, vocalista do grupo, o emo foi um movimento que ficou tão grande ao ponto de ter um impacto na cultura popular brasileira. “O rock brasileiro sempre teve muita identificação com o povão e o emo veio arrasando, aí o roqueiro conservador que pensa que virilidade é fazer bullying e discurso de ódio ficou muito puto. O emo era um adolescente se descobrindo e quebrando o estereótipo do macho tóxico. Hoje as pessoas que eram emo na época tem seus 25, 30 anos e descobriram que o mundo é maior que o rótulo”.

Como uma banda que jamais parou (e nem tem planos), tocar no Lollapalooza Brasil tem um gosto diferente. “Sabemos que é mais do que uma oportunidade, é uma prova de que somos relevantes no cenário atual, shows como esse coroam as escolhas que fizemos quando a banda batia 1º lugar em tudo quanto é rádio, Prezamos por manter uma honestidade artística muito forte às custas de perder o espaço que a gente tinha no mainstream, mas essa aposta formou um público fiel e interessado no que a gente tem a dizer”.

Para o show da banda, que sobe ao palco do Lollapalooza no dia 05 de abril, não há espaço para nostalgia. “Nesse novo momento estamos priorizando o disco novo, mas tem muita coisa antiga que tem a ver com essa nova fase. Esse show vai ser “alfaiatado”, vamos fazer coisas que não faremos em outros shows, mas mostrando a Fresno de 2020, e não a de 2005. Vai ser lindo e a gente tá bem ansioso.”

E em fase nova também se encontra Dallas Green, um dos líderes do Alexisonfire, que traz para o Lollapalooza Brasil 2020 o seu lado mais sereno com o projeto City and Colour. Se ao lado da banda a agressividade do screamo toma conta, sua carreira solo é tomada pela calmaria e a clareza de sentimentos.

Símbolo de uma época em que membros de bandas pesadas e rápidas costumavam fazer projetos para mostrar uma nova face (vide Chuck Ragan do Hot Water Music e Anthony Green do Circa Survive e Saosin), o City and Colour se destacou gravando álbuns em sequência, alcançando boas posições em charts e se mantendo firme ao conceito. É assim que Dallas chega ao Lollapalooza Brasil 2020. A Pill for Loneliness, seu mais recente álbum, carrega toda a tristeza e melancolia que o vocalista colocou em todos os seus trabalhos, de forma madura e com sua voz na melhor forma. Prepare os lenços.

Já o A Day to Remember, banda que sempre foi bem recebida no universo emo apesar de povoar cenas de metalcore, incorporou elementos transformaram o seu som em um pop-punk agressivo e eletrônico, como podemos observar nos singles mais recentes do grupo, “Degenerates” e “Rescue Me”. Mudança bem recebida pelos fãs, visto que a essência da banda se mantém preservada, enquanto novas sonoridades apenas mostram que o ADTR continua com sede de entregar algo novo e potente sem parecer repetitivo ou preso ao tempo.

Os shows de A Day to Remember e City and Colour no Lollapalooza Brasil acontecem no dia 04 de abril e perder não é lá uma boa escolha.

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